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11 de abril de 2013

FOME NO BRASIL



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fome é a escassez de alimentos que, em geral, afeta uma ampla extensão de um território e um grave número de pessoas.
No mundo cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto; existem1 bilhão de analfabetos;  1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda percapta anual bem menor que 275 dólares; 1,5 bilhão de pessoas sem água potável; 1 bilhão de pessoas passando fome;150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo); 12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida.
No Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional.
As causas naturais para justificar a fome são: clima; seca; inundações; terremotos; ss pragas de insetos e as enfermidades das plantas.
E ainda podemos contar com as causas humanas  como a instabilidade política; ineficácia e má administração dos recursos naturais; a guerra; os conflitos civis; o difícil acesso aos meios de produção pelos trabalhadores rurais, pelos sem-terras ou pela população em geral; as invasões; o deficiente planejamento agrícola; a injusta e antidemocrática estrutura fundiária, marcada pela concentração da propriedade das terras nas mãos de poucos; o contraste na concentração da renda e da terra num mundo subdesenvolvido; a influência das transnacionais de alimentos na produção agrícola e nos hábitos alimentares das populações de Terceiro Mundo; a utilização da "diplomacia dos alimentos" como arma nas relações entre os países; a relação entre a dívida externa do Terceiro Mundo e a deteriorização cada vez mais elevada do seu nível alimentar e a relação entre cultura e alimentação.
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas.
Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem terras. Há ainda o problema crescente da concentração da produção agrícola, onde grande parte fica nas mãos de poucas pessoas, vendo seu patrimônio aumentar sensivelmente e ganhando grande poder político. 


Fome - a tragédia nacional

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Uma tragédia a conta-gotas, dispersa, silenciosa, escondida nos rincões e nas periferias. Tão escondida que o Brasil que come não enxerga o Brasil faminto e aí a fome vira só número, estatística, como se o número não trouxesse junto com ele, dramas, histórias, nomes.
Na inversão do ciclo da vida, proeza é criança viva, bebê recém enterrado, acontecimento banal. No Brasil, a cada cinco minutos, morre uma criança. A maioria de doenças da fome. Cerca de 280 a 290 por dia. É o que corresponderia, de acordo com o Unicef, a dois Boeings 737 de crianças mortas por dia.
Médico, voluntário em campanhas contra a desnutrição e obcecado pelos números, Flávio Valente pesquisou dados oficiais. Existem, pelo menos, 36 milhões de brasileiros que nunca sabem quando terão a próxima refeição, nossa maior contradição.
Pesquisadores de renomes, especialista em nutrição, mais de 30 anos investigando as deficiências da alimentação do brasileiro. "Temos a deficiência de iodo, de zinco, de ácido fólico", diz dr. Malaquias. É bater o olho para saber. Uma menina pode estar com deficiência de ferro. Um mal que atinge até 47% de crianças, inclusive em estados ricos, como São Paulo.
A deficiência de vitamina A estaciona o crescimento de famílias inteiras. "Nessa área temos cerca de 18% de crianças com déficit de estatura. Quando a criança tem um atraso por falta de vitaminas, esse atraso é praticamente irreversível. A estatura conta praticamente toda a história nutricional da criança", explica o médico. 


O Combate  a Fome e o Direito Humano a se Alimentar

A gravidade da situação de miséria de grande parte da população brasileira exige que se repudie com veemência as insistentes tentativas das elites em mitificar o problema. A sociedade brasileira não aceita mais os discursos demagógicos que buscam circunscrever a pobreza a situações e localidades específicas, para depois oferecer soluções eleitoreiras. Tal como o assistencialismo eleitoreiro deve ser rejeitado também o economicismo tecnocrata, igualmente mistificador.
Já está mais que evidenciado que o crescimento econômico, por mais importante que possa ser, é absolutamente insuficiente para se acabar com a pobreza no país. Da mesma forma, o equilíbrio macroeconômico e a estabilização da moeda produzem, no máximo, efeitos mitigadores e temporários, sem alterar a situação de desigualdade social.   
Qualquer tentativa, minimamente séria, de atacar os problemas da fome e da pobreza deve considerar as suas causas mais profundas: a exacerbada concentração de riquezas no país. Este diagnóstico aponta, necessariamente, para a urgência de um amplo processo de redistribuição da riqueza nacional.  E esta não é, evidentemente, uma tarefa que possa ser "deixada" para o mercado. Ao contrário, experiência internacional mostra que só se resolve o problema da pobreza e da desigualdade com a ação firme e planejada do Estado.
As políticas públicas de combate à fome e pobreza não devem, portanto, se restringir a "compensar" os efeitos de um modelo econômico concentrador. Deve-se romper com a artificial separação das chamadas "áreas" econômica e social. Não se pode esperar que a "área" social resolva o problema da pobreza enquanto a política econômica continua a promover a exclusão. Ainda mais se considerarmos que o atual governo não pautou nenhum programa efetivo que possa conduzir a uma verdadeira Política Nacional de Segurança Alimentar. Além disto, na ausência de um projeto social mais articulado, as políticas sociais do governo são concebidas de forma fragmentada e implementadas de forma desarticulada.
Acreditamos que as políticas de combate à fome e pobreza e promoção da segurança alimentar, devem ser pensadas como parte de um projeto alternativo de desenvolvimento, que tenha como eixo central à promoção de um crescente processo de inclusão social. Portanto, o combate à fome e pobreza implica necessariamente em um amplo e sustentável processo de distribuição de riquezas, que, em linhas gerais, deve se traduzir em:
Distribuição de renda: Políticas de Geração de emprego e renda, recuperação do poder aquisitivo dos salários (especialmente do salário mínimo), programas abrangentes de renda mínima, etc.
Reforma agrária: aceleração do processo de reforma agrária (com assentamento de todas as famílias sem terra) e ampliação das políticas de apoio à agricultura familiar.
Acesso aos recursos produtivos: além da terra, é extremamente urgente o acesso á água, as sementes, aos créditos rurais de produção, aos créditos urbanos de auto-gerencimento de forma desburocratizada e eficaz.
Acreditamos que estes devem ser os princípios orientadores da construção de um projeto de combate à fome e pobreza e promoção da segurança alimentar. Tendo a diminuição das desigualdades como um princípio básico, e inegociável, pode-se partir para um amplo processo de discussão na sociedade organizada visando identificar as políticas e os instrumentos mais adequados para se acabar de vez com a fome e a miséria no país e garantir a todos os brasileiros e brasileiras a realização de seu direito à alimentação.
Os programas sociais que instituídos nos últimos anos, visam amenizar a problemática da fome e da miséria. O "Fome Zero", menina dos olhos do governo Lula, segue o mesmo rumo. Todavia amenizar não é o que queremos. O povo brasileiro quer e exige uma verdadeira guerra contra a fome e a miséria, que passa, necessariamente, por mudanças estruturais e profundas na organização social e na mentalidade da elite nacional.
O Governo de Luís Inácio Lula da Silva demonstrou vontade política e disposição para o combate a fome e a miséria. Porém só boa vontade e disposição não são suficientes para resolver o problema de milhões de famílias que sofrem de fome todos os dias. Como já dizia Betinho "Quem tem fome tem pressa". Tem pressa de comida, de cidadania, de justiça e de direitos. Saciar essas fomes exige mais que dinheiro e que políticas sociais. Exige uma ruptura com o modelo econômico aplicado, com afinco e precisão, nos últimos 15 anos, no Brasil.
O Brasil não é um País pobre. É sim um País muito rico. Rico pela produção e pela própria natureza. Mas é um País desigual e injusto, com um mar de pobres e miseráveis que cercam ilhas de acumulação, luxuria e esbanjamento. A desigualdade é a única questão que se mantém estável ao longo da história brasileira. Essa realidade resulta da intensa falta de eqüidade na distribuição da renda e nas oportunidades da inclusão social e econômica. Não é suficiente insistir, apenas, no crescimento econômico para erradicar a fome. O combate à fome e à pobreza é uma exigência ética. São necessárias medidas eficientes e eficazes na aplicação de políticas para a geração de maior igualdade no acesso aos alimentos e para a cidadania plena.


Solidariedade contra fome

O Brasil tem centenas de entidades de combate a fome, de todo tipo. Desde programa de geração de renda até a adoção de famílias pobres através do pagamento de uma mesada. Uma rede invisível de solidariedade à espera de adesões.
Mas porque será que as pessoas não têm o costume de ajudar quem mora perto de casa? Não é preciso ir muito longe. Só a Ação da Cidadania Contra a Fome tem mais de mil comitês espalhados pelo país. Além de acessar o site , você pode ligar para o telefone 0800-202000.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, tem uma lista de entidades que precisam de ajuda permanente. Você pode ligar para o telefone da Unicef no Brasil: 0800-618407.
Pastoral da Criança, parceira do Unicef e da Rede Globo no projeto Criança Esperança, já foi coordenada por Zilda Arns, uma brasileira indicada para o Prêmio Nobel da Paz. A Pastoral já funciona em mais de 30 mil comunidades, salvando crianças da desnutrição.
"O brasileiro é extremamente solidário, haja visto a Pastoral da Criança que conseguiu uma solidariedade humana de 150 mil voluntários", comemora Zilda. O telefone da sede nacional da Pastoral da Criança, em Curitiba, é (41) 336-0250.
Aval, o braço das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação diz que o desempenho da sociedade é fundamental, mas erradicar a fome, só se melhorarmos a distribuição de riquezas.
O Brasil é o vice-campeão mundial de concentração de renda, só perdemos para Serra Leoa, um país africano. O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, ligado ao Ministério do Planejamento, diz que mesmo assim há menos famintos.
O médico Flávio Valente coordena 87 unidades que lutam contra a fome e se dedicam a superar o comportamento comum. "A aceitação que existe por parte da sociedade de que crianças ainda morram de fome no nosso país e que isso seja considerado natural, todos nós somos responsáveis para ajudar essa situação. Somente no momento que nós não aceitarmos mais isso é que vamos ter a coragem para tomar as decisões políticas necessárias para resolver um problema que não é tão difícil assim de resolver".


O tamanho da fome no Brasil

Calcular a quantidade de pessoas sujeitas à fome no Brasil é um problema bastante complicado. Não há consenso sobre o tamanho da população atingida. Tudo depende das medidas e critérios utilizados para definir quem compõe esse contingente.
O último levantamento abrangente e de qualidade sobre o acesso da população a alimentos e outros bens de consumo foi o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), de 1974/75. A partir de seus dados, foi possível avaliar que 42% das famílias brasileiras (8 milhões de famílias), ou cerca de 50% da população da época, equivalente a 46,5 milhões de pessoas, consumiam menos calorias que o necessário.
Diversas pesquisas foram realizadas com base em indicadores de renda - uma forma indireta de se inferir a população carente. O pressuposto, nesses casos, é que a insuficiência de renda constitui o principal fator que leva as pessoas à não ingerir alimentos na quantidade adequada. Assim, define-se uma linha de pobreza abaixo da qual a renda seria inadequada para suprir as necessidades básicas - entre as quais a alimentação -, e calcula-se o número de pessoas abaixo dela.
Evidentemente, mesmo com renda inferior às suas necessidades de consumo, as pessoas conseguem se alimentar. Observa-se, nas grandes cidades, uma imensa quantidade de indigentes que, embora não tenham condições financeiras para comprar comida, conseguem se alimentar graças à caridade dos demais. Ignorar essa situação poderia resultar numa superestimação dos dados da fome. Todavia, verifica-se que esses indivíduos vivem uma situação de risco, pois não se alimentam regularmente e, mais importante, não se alimentam de forma digna.
Diante das dificuldades para mensurar a indigência ou a pobreza no Brasil, o Programa Fome Zero, síntese da política de combate à fome do Governo Lula, procurou estimar a quantidade de pessoas que passam fome no país tomando por base omicrodados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, de 1999, atualizados posteriormente pela edição de 2001.


O que é o Programa Fome Zero?

O Programa Fome Zero é um conjunto de ações que foram e ainda estão sendo implantadas pelo Governo Federal. O objetivo é promover ações para garantir segurança alimentar e nutricional aos brasileiros. As iniciativas envolvem todos os ministérios, as três esferas de governo (federal, estadual e municipal) e a sociedade.
Garantir segurança alimentar e nutricional à população de um país significa proporcionar a todos os cidadãos e cidadãs o acesso a uma alimentação digna com regularidade, qualidade e quantidade suficientes. O Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (MESA), ligado diretamente à Presidência da República, foi criado para articular e implementar as várias ações previstas no Programa.
O Fome Zero tenta combater a fome e garantir a segurança alimentar e nutricional atacando as causas estruturais da pobreza. Isso requer um outro modelo de desenvolvimento, que crie condições para a superação da pobreza e não apenas compense suas mazelas. Para alcançar esse objetivo, o Fome Zero conta com três eixos:
Para combater a fome e a pobreza é necessária uma combinação de políticas estruturais, específicas e locais.
Entendem-se como políticas estruturais à implantação de ações que ataquem as causas da fome e da pobreza. Programas de geração de emprego e renda, aumento do salário mínimo, incentivo para o primeiro emprego, recuperação da política habitacional, incentivo à agricultura familiar e intensificação da reforma agrária são algumas ações previstas para serem implementadas.
  • Elaboração do Plano Nacional de Reforma Agrária;
  • Plano emergencial de assentamento de famílias acampadas;
  • Recuperação de assentamentos em situação precária.
  • Ampliação do atendimento do crédito rural para agricultores familiares;
  • Financiamento para agricultura familiar na safrinha;
  • Compra antecipada da produção.
Ampliação do acesso e qualidade da educação
  • Alfabetização de jovens adultos;
  • Programa Bolsa-escola
  • Programa de geração de emprego
  • Financiamento para habitação e saneamento para famílias de baixa renda;
  • Programas de expansão do microcrédito;
  • Primeiro emprego;
  • Incentivo ao turismo rural.
Programa de Atenção Básica à Saúde
Como política específica é possível citar a implantação do cartão-alimentação e a ampliação da merenda escolar. 
A distribuição de cestas básicas emergenciais por períodos determinados também é uma das ações específicas. As cestas são distribuídas em comunidades indígenas e quilombolas e para os acampados da reforma agrária que vivem em risco nutricional.
A qualidade dos alimentos, a ampliação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o combate à desnutrição infantil e a educação para o consumo alimentar integram o rol das ações específicas implementadas.
Programa Nacional de Banco de Alimentos
O Programa Nacional de Banco de Alimentos é baseado no incentivo e oferecimento de suporte à implantação de Bancos de Alimentos em médios e grandes municípios. O Programa faz parte de uma política de redução do desperdício e viabilizará a doação de alimentos por supermercados, restaurantes e empresas em geral para associações e entidades de caridade.
Programa de Restaurantes Populares
O Programa de Incentivo à Instalação de Restaurantes Populares visa criar uma rede de proteção alimentar em zonas de grande circulação de trabalhadores nas áreas metropolitanas. O objetivo é que o trabalhador tenha acesso a refeição balanceada e de qualidade a preços populares.
Programa Cartão Alimentação - PCA
O Programa Cartão Alimentação oferece a famílias de baixa renda um benefício no valor de R$ 50,00 para a compra de alimentos básicos na localidade de moradia da família. O Programa associa o benefício com políticas de garantia de cidadania, visando a emancipação sócio-econômica das famílias, como:
  • Alfabetização de jovens e adultos
  • Educação alimentar e nutricional;
  • Saúde e nutrição;
  • Geração de emprego e renda;
  • Programas de convivência com a seca;
  • Saneamento básico;
  • Qualidade na construção ou reforma da habitação.
O benefício é transferido prioritariamente para mulheres/mães através de um cartão magnético único, juntamente com os demais programas de transferência de renda do governo federal, para famílias incluídas no Cadastro Único do Governo Federal. Para isso, é realizada uma revisão do cadastro atual priorizando o público mais necessitado e a ampliação do cadastro para famílias que não recebem nenhum programa de transferência de renda, seja do governo federal, seja dos governos estaduais e municipais.


Conclusão

As causas da fome crônica e desnutrição  no Brasil e no mundo é a pobreza, a distribuição ineficiente dos alimentos juntamente com a reforma agrária precária e o crescimento desproporcional da população em um determinado estado ou território em relação à capacidade de sustentação, são fatores essenciais para a manutenção da fome.
Cerca de 5 a 20 milhões de pessoas falecem por ano por causa da fome e muitas delas são crianças.
As conseqüências imediatas da fome é a perda de peso nos adultos e o aparecimento de problemas no desenvolvimento das crianças. A desnutrição, principalmente devido à falta de alimentos energéticos e proteínas, aumentam nas populações afetadas e faz crescer a taxa de mortalidade, em parte, pela fome e, também, pela perda da capacidade de combater as infecções.
Alterar essa situação significa alterar a vida da sociedade, o que pode não ser desejável, pois iria contrariar os interesses e os privilégios em que se assentam os grupos dominantes. É mais cômodo e mais seguro responsabilizar o crescimento populacional, a preguiça do pobre ou ainda as adversidades do meio natural como causas da miséria e da fome no Terceiro Mundo.
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem terras. Há ainda o problema crescente da concentração da produção agrícola, onde grande parte fica nas mãos de poucas pessoas, vendo seu patrimônio aumentar sensivelmente e ganhando grande poder político. A produção para o mercado externo, visando à entrada de divisas e ao pagamento da dívida externa, vem crescendo, enquanto a diversidade da produção de alimentos dirigida ao mercado interno tem diminuído, ficando numa posição secundária. Ao lado disso, milhões de pessoas vivem em favelas, na periferia das grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, entre outras. O caso das migrações internas é um problema gerado dentro da própria nação. Grande parte dos favelados deixou terras de sua propriedade ou locais onde plantavam sua produção agrícola. Nos grandes centros, essas pessoas vão exercer funções mal pagas, muitas vezes em trabalho não regular. Quase toda a família trabalha, inclusive as crianças, freqüentemente durante o dia inteiro, e alimenta-se mal, raramente ingerindo o suficiente para repor as energias gastas. Nesse círculo vicioso, cada vez mais famílias se aglomeram nas cidades passando fome por não conseguir meios para suprir sua subsistência.
Reconhecemos  que a própria "Constituição Cidadã de 1988 inova, em seu Preâmbulo, ao tratar da erradicação da pobreza e da marginalização", mas, infelizmente, temos ainda "um longo caminho a percorrer, pois, os governos pouco fizeram no campo dos direitos sociais, conformando-se antes a uma agenda monetarista e colocando a política financeira acima do desenvolvimento da cidadania".
"Garantir o alimento para todos, superando a miséria e a fome, exige de cada um de nós o engajamento pessoal. Mais do que isto, supõe a experiência pessoal do humilde e corajoso processo de gestação de uma nova sociedade, que atenda aos direitos e às necessidades básicas da população: educação, saúde, reforma agrária, política agrícola, demarcação das terras indígenas e das terras remanescentes dos quilombos, distribuição de renda, reforma fiscal e tributária, moradia. Exige também que desenvolvamos novas relações de trabalho e de gestão da empresa, criando uma economia de comunhão comprometida com a solidariedade e atenta às exigências da sustentabilidade".
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Autoria: Jussara Faustino

10 de abril de 2013

10 DICAS PARA REAPROVEITAR SEU COMPUTADOR ANTIGO


Restaure seu PC
Restaure seu PC

Só porque você comprou um PC novo não significa que você tem que jogar o velho fora. Veja como aproveitar ao máximo um micro mais antigo.

Parabéns, você finalmente comprou um PC novo! Ele tem uma tonelada de memória, um processador com vários núcleos e uma placa de vídeo rápida e moderna. Mas seu velho computador está parado em um canto, e embora você saiba que ele é apenas uma máquina, ele parece estar tão triste quanto um cachorrinho pidão. É estranho, mas você se sente culpado por querer jogá-lo fora.
Afinal de contas ele ainda funciona, e quando você o comprou ele era praticamente o estado da arte. Se o seu novo PC está substituindo um micro que está “nas últimas”, leve a velha máquina a um serviço de reciclagem especializado. Mas é impressionante o número de pessoas que abandonam máquinas perfeitamente usáveis quando as trocam por um modelo mais novo.
Você pode fazer um monte de coisas com um PC “velho”. Vamos dar uma olhada em algumas formas de mantê-lo “na ativa”.
1. Converta-o em um NAS ou servidor doméstico
Se você tem uma rede doméstica com múltiplos usuários (você, sua esposa e as crianças), transformar seu velho PC em um servidor doméstico pode ser a solução ideal. Com isso, todos os arquivos, fotos, músicas e vídeos poderão ser armazenados em um só lugar, e acessados a partir de qualquer PC da casa.
Mas não basta simplesmente plugar o micro à rede e ligá-lo. A maioria dos PCs desktop não é configurada para funcionar de forma eficiente como um servidor. Para começo de conversa, eles provavelmente consomem energia demais. Você precisará entrar na BIOS do PC e modificar as opções de economia de energia para fazer com que os ventiladores rodem em “modo silencioso”, se possível. Também será necessário ajustar o sistema operacional para evitar que o micro se desligue em horas impróprias, e ainda assim rode com baixo consumo de energia quando não está sendo usado.
Tenha em mente que você provavelmente irá querer que seu servidor rode “headless”, ou seja, sem um monitor, e também sem teclado e mouse. Embora eles sejam necessários durante a configuração, você deve se certificar de que a máquina é capaz de inicializar e funcionar corretamente sem que eles estejam conectados. Não há nada mais irritante que ver uma máquina parar depois de reinicializada porque ela não encontrou o teclado.
Além disso, o sistema operacional instalado em seu PC provavelmente não é adequado para o uso como servidor, especialmente para múltiplos usuários. O Windows XP, Vista e 7 podem funcionar bem como um repositório de arquivos para alguns poucos usuários, mas você precisará de tempo para criar contas para cada um deles, e provavelmente definir cotas de armazenamento.
Você também pode usar o Windows Home Server, mas esta versão do sistema operacional é mais cara e provavelmente exigirá demais do hardware de seu velho micro. Uma alternativa mais adequada e gratuita é o FreeNAS.
O FreeNAS é um software Open Source baseado no sistema operacional FreeBSD e projetado para transformar seu PC em um “dispositivo de armazenamento conectado à rede” (NAS – Network Attached Storage). Ele pode ser baixado na forma de um arquivo ISO que, gravado em um CD, gera um “LiveCD”, um disco a partir do qual o sistema pode ser executado sem a necessidade de instalar nada em seu computador. Você pode experimentar à vontade, até ter certeza de que ele atende às suas necessidades.
2. Doe-o
Considere a doação de seu PC a uma escola, ONG local ou instituição de caridade. Na pior das hipóteses ele pode acabar sendo usado em um laboratório de informática como cobaia para ensinar aos estudantes sobre montagem e configuração de hardware, ou ter as peças reaproveitadas em outras máquinas.
Mas se o micro estiver em plenas condições de uso, você pode comprar alguns pacotes de software educacional e deixá-los pré-instalados no computador antes de doá-lo. Lembre-se de remover suas informações pessoais do PC antes de entregá-lo (o ideal é formatar o disco), e de entregar com a máquina todas as informações de licença do sistema operacional e programas que você incluir com ela.
3. Transforme-o em uma cobaia
Você já ouviu falar do Linux, mas tem medo de deixar seu micro principal em “dual-boot”? Então use seu PC antigo para experimentar à vontade.
Experimente o Ubuntu, a distribuição Linux mais popular no momento. O legal do Linux é o bom suporte a hardware, especialmente no caso de componentes mais antigos, então a instalação geralmente é fácil. Na verdade, instalar o Ubuntu é mais fácil do que instalar o Windows. E há uma enorme quantidade de software gratuito para você experimentar.
Além disso, há uma variedade de outros sistemas operacionais baseados em UNIX disponíveis, doFreeBSD e PC-BSD ao OpenSolaris, baseado em uma versão do UNIX desenvolvida pela Sun Microsystems.
4. Dê ele a um parente
Eu faço isso o tempo todo. Meu cunhado não precisa de um computador poderoso, então eu geralmente dou a ele meus PCs de dois anos de idade, embora eu costume adicionar à máquina uma nova placa de vídeo, como um modelo básico ou intermediário.
Só não recomendo fazer isso com seus filhos. Pelo menos não se eles forem como os meus, já que eles frequentemente precisam de muito mais poder de processamento do que eu no dia-a-dia. Minha filha mais velha, por exemplo, é fotógrafa e faz uso intenso do Photoshop, enquanto a mais nova é uma jogadora ávida.
Mas dar um micro para um parente pode ser um problema, porque você acaba de transformando no “cara do suporte”, a quem eles irão recorrer caso encontrem qualquer problema, de um rodapé que sumiu em um documento do word a um alerta de segurança do anti-vírus. Esteja avisado.
Uma coisa que você deve fazer é formatar completamente o disco rígido e reinstalar o sistema operacional do zero. Se a máquina é um modelo que foi comprado “pronto” em uma loja, restaurá-la às configurações de fábrica usando o disco ou partição de restauração inclusos tem o mesmo efeito.
5. Dedique-o à computação distribuída
Quer fazer um bem para a humanidade? Dedique seu velho PC a um dos muitos projetos de computação distribuída.
O mais conhecido é provavelmente o Folding@Home, que usa recursos computacionais de todo o mundo para estudar o processo de formação das proteínas, um elemento essencial para entender como muitas doenças operam. Se seu PC tiver uma placa de vídeo recente, ela também pode ser utilizada para acelerar o processo.
Outros projetos de computação distribuída incluem o SETI@Home, que permite que você participe da busca por inteligência extraterrestre, e o Great Internet Mersenne Prime Search, que busca novos Números Primos de Mersenne. E há muitos outros baseados no projeto BOINC – Berkeley Open Infrastructure for Network Computing (Infraestrutura Aberta de Berkeley para Computação em Rede)
6. Transforme-o um servidor para jogos.
Você tem um jogo favorito? Se sim, veja se ele permite hospedar um servidor próprio para partidas multiplayer. A maioria dos jogos multiplayer com partidas online permite a criação de servidores dedicados. Eu rodei um servidor de Civilization 4 durante alguns meses e um de nossos editores está configurando um servidor de Minecraft para a nossa equipe.
Team Fortress 2 também suporta servidores dedicados. O legal é que na maioria dos casos eles exigem muito pouco poder de processamento. Eu rodei um servidor de Freelancer em um velho notebook com um processador Pentium 4, e mesmo com até 8 jogadores simultâneos não tive problemas de desempenho.
7. Use-o para rodar jogos antigos
Reaproveite seu PC para rodar os bons jogos do passado. Você pode instalar o Windows 98, por exemplo, para poder rodar aqueles jogos que só funcionam corretamente sob o Windows 95 ou DOS. Mas isso já não é mais necessário, pois serviços como Steam, Impulse e Good Old Games oferecem jogos antigos em versões adaptadas para rodar em sistemas operacionais modernos, e o DOSBox permite que você emule um ambiente DOS para rodar seus jogos antigos.
Você também pode reviver as glórias dos arcades do passado com o MAME. Este programa permite rodar jogos originalmente escritos para máquinas de arcade (que tal Cadillacs and Dinossaurs?) ou para consoles mais antigos em seu PC, desde que você tenha acesso às ROMs com os jogos e outros arquivos necessários.
Mas cuidado, o MAME pode acabar consumindo todo o seu tempo livre! Esteja avisado.
8. Transforme-o em um servidor auxiliar.
Se você trabalha com softwares como o 3dsmax, Adobe After Effects ou Sony Vegas, sabe que ter um segundo PC à mão com o qual dividir o processo de renderização pode reduzir significativamente o tempo necessário para a finalização de projetos complexos.
Cada aplicativo lida com computação distribuída de forma um pouco diferente, portanto leia a documentação. Mas tipicamente basta instalar no computador auxiliar um aplicativo leve, que recebe dados e comandos do computador principal e retorna os resultados quando pronto. A distribuição do trabalho entre as várias máquinas é controlada pelo seu aplicativo principal ou por um utilitário em separado.
9. Transforme-o no micro da sala de estar
Eu tenho um pequeno micro na minha sala de estar que é geralmente usado para consultas rápidas à internet e ler e-mail. Ocasionalmente, as crianças descem e fazem o dever de casa no PC da sala, quando estão cansadas de ficar em seus quartos. Este arranjo funciona particularmente bem quando você tem um NAS em algum canto da casa (vide item 1), para que as pessoas possam ter acesso aos seus arquivos não importa em qual computador estejam.
Se você tem um PC de uso comum, pode achar necessário criar uma conta de usuário separada para cada pessoa que terá acesso a ele. Eu descobri que isso não é necessário: já que a máquina é comum a todos, ninguém armazena informação privada nele.
Por outro lado, você vai precisar instalar o melhor software de segurança que conseguir encontrar. Já que você terá múltiplos usuários na mesma máquina é inevitável que alguém, em algum momento, vá acessar um site que tentará fazer o download de um cavalo de tróia ou malware.
10. Reaproveite
Se você tem uma veia faça-você-mesmo e costuma montar suas próprias máquinas, pode economizar na hora de montar um novo PC reaproveitando peças do micro velho. Gabinete, drive óptico, fonte de alimentação e os pentes de memória (em alguns casos) são bons candidatos ao reaproveitamento.
Dependendo do quanto você reaproveitar, a diferença entre uma máquina “nova” e uma “atualizada” pode ser pequena. Se você trocar a placa-mãe, processador, memória e HD, mas mantiver o gabinete, fonte de alimentação, drive óptico e placa de vídeo, dá pra dizer que o resultado é um PC novo?
Mesmo reaproveitando ao máximo, inevitavelmente sobrarão algumas peças. O que nos leva à última opção.
Venda
Em algum lugar na internet, há uma pessoa querendo comprar um computador. Pode ser que essa pessoa não possa pagar por um micro novo, ou esteja procurando um PC secundário para a família. Com um bom preço, seu velho PC pode ser tudo o que esta pessoa precisa. Todo mundo ganha: você passa o hardware adiante e ganha algum dinheiro, e seu PC encontrará um bom lar com um novo usuário que irá fazer bom uso dele.
Mas o processo não é tão simples como fazer uma venda de garagem. Golpistas vasculham sites de leilão e tentam convencer os vendedores a enviar o micro mediante do pagamento de um “sinal”, com a promessa de que o restante do dinheiro será depositado quando a máquina chegar ao seu destino. Não precisamos dizer que o restante do dinheiro nunca chega, e muitas vezes o próprio sinal é um depósito fraudulento, que não se materializa em sua conta corrente.
Minha dica é primeiro tentar vender o micro localmente, entre seus amigos e círculo de conhecidos. Se usar um site de leilões, use um serviço como o PagSeguro (do UOL) ou MercadoPago (do Mercado Livre) para intermediar o pagamento.
Um PC “velho” pode ser muitos usos, especialmente se estiver em boas condições de uso. E nem todo mundo precisa de um computador com um processador quad-core e placa de vídeo topo de linha. Portanto, se você tem um PC pegando poeira no alto de um armário, tire-o de lá e arrange um uso para ele. Pode ser ele que irá identificar o primeiro sinal de vida inteligente fora de nosso planeta.

9 de abril de 2013

PERIGOS DO ACÚMULO DE LIXO NAS CIDADES


Perigos do acúmulo de lixo nas cidades
Quem abre um pacote de bala ou qualquer outro produto e descarta a embalagem numa calçada pode pensar que aquilo não fará diferença, mas está enganado. São muitos os riscos causados pelo acúmulo de lixo - mesmo esses pequenininhos -, como enchentes e emissão de gases tóxicos.
"O lixo também pode gerar chorume e contaminar a água e o solo. Ainda pode servir de abrigo e alimento para animais e insetos que são vetores de doenças. As mais comuns são a leptospirose, peste bubônica e tifo murino, causadas pelos ratos, além de febre tifóide e cólera causadas por baratas, malária, febre amarela, dengue, leishmaniose e elefantíase, transmitidas por moscas, mosquitos e pernilongos", explica Marçal Rizzo, professor assistente na Universidade Federal do Mato Grosso e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FCT/UNESP) - Campus de Presidente Prudente/SP.
Com tantos problemas originados pelo lixo, por que algumas pessoas insistem em ignorar tudo isso e continuar jogando resíduos em locais públicos? Será por falta de lixeiras ou falta de educação? Para Marçal, as duas hipóteses são válidas. "Realmente existe um déficit de lixeiras nas cidades. Até mesmo nas pequenas faltam lixeiras pelas ruas e praças. Agora, não podemos nos esquecer do vandalismo contra as que existem. Há quem arranque, danifique e até queime o lixo dentro delas".
O engenheiro ambiental Johnny Hirai, da empresa Hagaplan, de São Paulo, aponta uma provável causa do vandalismo e da ignorância de algumas pessoas em relação às consequências do lixo em locais inapropriados. "A população é carente de uma educação ambiental, tanto dentro das residências quanto nas escolas, embora haja uma campanha (tímida) na mídia incentivando a destinação adequada dos lixos".
Em tempos de chuva, o acúmulo de lixo em regiões inadequadas pode trazer mais perigos. "O lixo disposto clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de córregos, rios e de ruas contribui diretamente com as enchentes, o qual vem potencializar as mesmas. Entope as ‘bocas de lobo’ e as galerias de água fluvial, além de assorear os córregos e rios, o que diminui consideravelmente a vazão dos mesmos. As enchentes espalham o lixo e contaminam a água e alimentos", diz o professor Marçal.
Muita gente joga a culpa do problema com o lixo nas autoridades. De fato, há pouco investimento na área. Segundo uma pesquisa realizada em 2007 pelo Ministério das Cidades com 306 municípios que representam 55% da população urbana do Brasil, a coleta seletiva só chegava a somente 56,9% dessas cidades.
Além disso, dos 587 aterros que recebiam os resíduos, 46% não possuíam licença ambiental. "Diante desse quadro, nota-se que há um mau planejamento e falta de investimento. Boa parte de nossos políticos não desenvolvem bons projetos na área ambiental, em especial no que tange lixo. Investimentos nessa área não trazem tantos votos como os políticos esperam. A população não sabe o que é feito com o seu lixo após ser colocado de fronte as suas casas. Acreditam que o problema acaba ali, mas infelizmente, é ali o início do problema se não for disposto de forma adequada", observa Marçal.
Mas, como todos produzimos lixo, todos somos então responsáveis por cuidados que amenizem as consequências ruins. Johnny lembra que "grande quantidade do lixo domiciliar pode se tornar matéria-prima para produção de novos produtos". Marçal explica como organizar os resíduos domésticos. "O ideal seria separar o lixo domiciliar em duas partes: a parte não reciclável e a parte reciclável. A não reciclável (tecidos, fraudas descartáveis, papel higiênico, restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos) deve ser descartada em aterros sanitários. Vale lembrar que restos de frutas, cascas e alimentos podem se usados para a fabricação de adubo orgânico. Já o material seco que pode ser reciclado ou reutilizado deve ser encaminhado à coleta seletiva". Antes de tudo, busque diminuir quantidade de lixo que produz e fique de olho no que sobra do consumo. Parece fácil falar né? Mas antes de começar, você não pode dizer que é difícil fazer!
Por:
Priscilla Nery
MBPress

LIXO ACUMULADO NAS RUAS PREJUDICA COMBATE A DENGUE



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Avenida Leste Oeste: população das ruas do entorno do Pirambu, Goiabeiras e Barra do Ceará despeja o lixo no canteiro com a Avenida Soares Moreno, até que um caminhão recolha os resíduos, virando um ciclo de risco
KID JÚNIOR
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No início do século XX, as cidades eram menores, o que facilitava o controle de uma epidemia.
MIGUEL PORTELA
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Utensílios inservíveis são deixados à beira de canal
JOSÉ LEOMAR
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Terreno na Aldeota é ponto de risco
DENISE MUSTAFA
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Encosta de morro vira ponto de lixo
DANIEL ROMAN
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Moradores do Frifort convivem com lixo
DENISE MUSTAFA
A coleta de lixo funciona nas áreas urbanizadas, mas não chega às áreas de risco nem favelas de Fortaleza
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que a urbanização acelerada e a má administração da limpeza urbana foram dois pontos fundamentais, nos últimos 30 anos, para o favorecimento da dengue no Brasil. Em Fortaleza, por exemplo, a questão do lixo ainda é um desafio no combate à doença.

Enquanto o sistema de coleta de lixo cobre áreas urbanizadas, outras, como as de risco ou sem infra-estrutura, sofrem com o acúmulo dos resíduos. Nesses locais, onde o caminhão da coleta não entra porque as vias não permitem, a opção da população é levar seu lixo para a avenida mais próxima, favorecendo o nascimento de vários pontos, que acabam tornando-se permanentes.

O canteiro central da Avenida Leste-Oeste e da Avenida Soares Moreno é um exemplo disso. Lá, a população das ruas do entorno do Pirambu, Goiabeiras, Barra do Ceará, entre outros, despejam seu lixo no canteiro até que um caminhão chegue e recolha os resíduos, virando um ciclo de risco.

Se chover, então, o esquema não funciona porque o lixo será levado pelas águas, transformando-se em potencial criadouro do mosquito onde parar. Em algumas áreas urbanizadas, esse problema também acontece. No cruzamento das ruas Desembargador Leite Albuquerque e Nunes Valente, na Aldeota, um ponto de lixo virou até motivo de briga, uma vez que os fiscais da coleta já foram ameaçados pelos catadores.

Mesmo conhecendo essas situações, a presidente da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), Eveline de Sousa Ferreira, considera que a coleta de lixo em Fortaleza é suficiente, e não compromete o combate à dengue na cidade. “A coleta não falha, por isso é considerada uma das melhores do País. Em dias alternados o caminhão recolhe o lixo. Em áreas de maior fluxo, onde há atividade comercial, isso acontece diariamente. Não há motivo nenhum para que seja jogado lixo em terrenos baldios”, destaca, acrescentando que 80% dos focos estão nas residências e não nas ruas.

A presidente da Emlurb explica que a Prefeitura está se antecipando às reclamações. “O Município já começou a mapear os terrenos baldios e cadastrar os proprietários, através da Secretaria de Finanças. Em alguns casos, quando é constatada a presença de focos, a Prefeitura fecha o muro, faz a limpeza e manda a conta para o proprietário”, explica ela, ressaltando que isso não é uma regra nem pode ser aplicado em todos os casos. “Nem todo terreno baldio é foco de dengue”.

Quanto aos problemas das áreas em que o caminhão da coleta não entra, Eveline citou uma idéia da Agência Reguladora de Fortaleza (Arfor), que gerencia o contrato com a empresa Ecofor, de instituir o gari comunitário. Essa figura, da própria comunidade, atuaria onde existem problemas de acesso e também de vulnerabilidade para os profissionais, que são vítimas de assaltos em algumas comunidades.

Nesse processo, Eveline destaca que a educação do cidadão deixa a desejar. “A sujeira não está ligada à pobreza. Têm áreas ricas em Fortaleza que são extremamente sujas e outras muito pobres que são limpas. Tem que acender uma luzinha na cabeça de cada morador para que a trate a rua como a sala ou a cozinha de casa. 

FALTA DE PLANEJAMENTO
Desordenação favorece o mosquito
O crescimento desordenado das cidades brasileiras, a exemplo do que ocorreu com Fortaleza nos últimos 20 anos, as agressões ao meio ambiente e a falta de planejamento de políticas públicas mais drásticas para conter o avanço do Aedes aegypti que retornou ao ambiente urbano, a partir dos anos 1980. Estes são alguns argumentos apresentados pelo médico infectologista Keny Colares, professor do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor). “A dengue leva em consideração um conjunto de fatores”, diz, tranqüilizando que 70% dos casos são simples.

O médico explica que o contexto das cidades brasileiras na atualidade é bem diferente do início do século XX, quando eram menores, menos adensadas. Portanto, era mais fácil controlar uma epidemia, compara Keny Colares.

No caso específico da dengue, “a urbanização foi até favorável ao mosquito”, diz, completando que a responsabilidade quanto à epidemia da doença deve ser compartilhada. “Só o governo não poderá resolver o problema”. Chama a atenção para os imóveis fechados sendo necessário amparo legal para as autoridades agirem.

Conscientização

Sem contar com a falta de educação ambiental das pessoas com relação ao destino do lixo e do armazenamento de água. As questões são fundamentais para a prevenção da doença, mas falta conscientização das pessoas. Admite ser bastante complicada a situação nos estados do Rio de Janeiro e Ceará, principalmente com a circulação do sorotipo para a dengue hemorrágica.

Daí a preocupação, explica Keny Colares, informando que é grave o avanço do mosquito no Estado. “Praticamente todos os municípios possuem o Aedes aegypti”, destaca, admitindo ser difícil o controle. Doença típica das regiões tropicais, o calor e a umidade favorecem ao desenvolvimento da doença.

Para ele, a dengue pôs em xeque o sistema público de saúde agravando ainda mais a epidemia. No momento, o que se pode fazer é garantir assistência e evitar o pânico. 

REAÇÃO
Mobilização social é inédita
Em nenhum outro momento de crise na saúde causada pela dengue se viu tanta mobilização social como acontece agora. Mutirões de serviços e limpeza, profissionais de saúde se atualizando, bombeiros e carteiros nas ruas, idosos reproduzindo ensinamentos em suas comunidades, advogados e outros profissionais dando a sua contribuição e empresas convocando seus funcionárias para eliminarem focos da doença no ambiente de trabalho e também em casa. São cenas inéditas que estão começando a fazer parte da rotina da população de Fortaleza.

Para o coordenador de Políticas em Saúde da Secretaria de Saúde do Estado, Manoel Fonseca, parte dessa mobilização social deve-se ao fato da transparência com que as gestões de saúde estão trabalhando a dengue, sempre esclarecendo e informando acerca da gravidade da doença. “A questão é séria e a população tem que ter consciência que faz parte disso”, explica o médico.

Além disso, Fonseca ressalta o papel dos meios de comunicação no processo de gerar mobilização entre as pessoas. “Diariamente o noticiário traz várias matérias sobre dengue, sejam positivas ou negativas, e isso ajuda a população a ficar sempre alerta”, disse.

Já o secretário Municipal da Saúde, Odorico Monteiro, considera que na medida em que se abriu o debate sobre a dengue, a sociedade se viu dentro do problema, até porque também é atingida pela doença.

Segundo Monteiro, expor e alertar a população não se trata de fazer terrorismo e sim de criar consciência sanitária. “As pessoas têm dificuldade de quebrar a inércia e partir para a atitude”, disse. 

Utensílios inservíveis são deixados à beira de canal
Área de risco: em um canal, às margens da Avenida Pompílio Gomes, no Bairro Jangurussu, o acúmulo de lixo é visivelmente uma ameaça à saúde. Garrafas plásticas e um pneu deixados no local são depósitos propícios à reprodução do Aedes aegypti. Basta uma chuva para que os utensílios inservíveis à população se tornem focos da dengue. Além disso, o material colocado dentro do canal acaba contribuindo para a poluição.

Terreno na Aldeota é ponto de risco
Uma casa abandonada no cruzamento das ruas Tibúrcio Cavalcante e Pereira Valente vem tirando o sossego dos moradores da área. Focos de dengue foram encontrados e nada foi feito.
Naiana Rodrigues, Paola Vasconcelos e Iracema SalesRepórteres

LIXO JOGADO NAS RUAS CAUSAM ENXENTES E ALAGAMENTOS


Por Julio Cezar Winkler, especialista em geografia do portal
Prefeitura de Caratinga
Na “era do descartável”, muitas pessoas jogam lixo nas ruas, córregos e rios. Esse lixo se acumula e acaba entupindo as galerias de drenagem, impedindo que a água encontre o seu destino.


Todos os anos, nessa época do ano que abrange o verão (de janeiro a março), os noticiários ficam literalmente “inundados” de notícias sobre alagamentos e enchentes. É a época em que as massas de ar frio estacionam sobre determinadas áreas e ocasionam as chamadas chuvas de verão. Estas se caracterizam por sua intensidade e pela presença de fortes rajadas de vento e granizo.
Não é incomum vermos autoridades culpando as chuvas de verão pelos alagamentos que, muitas vezes, resultam em tragédias. Mas a realidade é que somos nós mesmos os verdadeiros culpados por esse indesejável fenômeno.
Cada centímetro a mais de pavimentação em nossas cidades impede que a água das chuvas infiltre no solo e alimente o lençol freático, que é uma espécie de rio subterrâneo que retém a água pluvial (das chuvas) e vai liberando-a paulatinamente para dentro dos rios em um processo lento e contínuo. A pavimentação excessiva causa um escoamento superficial da água, que chega rapidamente ao leito dos rios e faz com que eles não suportem drenar todo seu conteúdo. Além disso, esse tipo de escorrimento faz com que a água carregue centenas de toneladas de partículas soltas do solo, chamadas de sedimento, que diminuem a profundidade do leito dos rios. Dessa maneira, à medida que os rios vão perdendo a sua capacidade de escoamento, recebem mais e mais água, até que ocorrem as enchentes.
Não é raro ver pessoas pensando em trocar o gramado dos seus quintais por uma lajota ou um piso pavimentado qualquer. Elas argumentam que a grama dá muito trabalho porque deve ser cortada sempre e acumula muita sujeira. O piso pavimentado é mais fácil de ser limpo. No entanto essa atitude, que aparentemente facilita a vida das pessoas, pode causar grandes problemas ambientais. Por isso, da próxima vez que você ouvir alguém falando em erradicar o gramado de sua casa, faça o seu papel e explique a importância de cada metro quadrado de área pela qual a água possa penetrar.
Prefeitura de Caratinga
A pavimentação excessiva causa um escoamento superficial da água, que chega rapidamente ao leito dos rios e faz com que eles não suportem drenar todo seu conteúdo, transbordando.


FONTE: 
http://www.educacional.com.br
Outro problema bastante sério é o lixo jogado em locais não apropriados. Para escoar a água das chuvas, são construídas galerias pluviais e instaladas diversas bocas-de-lobo, ou seja, bueiros por onde deve ser captada a água, que é levada para os córregos com maior capacidade de drenagem. Hoje em dia, na “era do descartável”, representada pela famosa garrafa pet, muitas pessoas jogam seu lixo nas ruas, córregos e rios. Esse lixo vai acumulando-se e acaba entupindo as galerias de drenagem, impedindo que a água encontre o seu destino.
Claro que existem outros fatores que levam às enchentes, mas os mencionados aqui são decisivos. Se cada um fizer a sua parte, deixando áreas livres de pavimentação, de preferência com alguma cobertura vegetal, e dando destino correto ao lixo, o problema vai diminuir e, com certeza, teremos verões com menos notícias tristes em nossos programas de TV.

PORQUE AS PESSOAS JOGAM LIXO NAS RUAS?




As primeiras justificativas sobre o lixo no chão que se lê em relacionados assuntos e comentários publicados nos blogs da cidade são:
- a falta de escolaridade do povo;
- a falta de uma lixeira perto;
- a coleta de lixo é precária;
- a culpa é do prefeito;
- as quatros opções juntas!
Constato que “por que as pessoas jogam lixo no chão?” NÃO é a falta de escolaridade ou similares… A resposta é por INSTINTO e por falta de EDUCAÇÃO DOMÉSTICA!
Como assim?
Nós seres humanos somos parte integrante de um sistema gigantesco chamado Natureza. E por incrível que pareça, nós também temos o nosso papel: "Cuidar do meio ambiente é um corolário da fé cristã" (Salmo 24.1).
Assim como as abelhas e pássaros polinizam as flores, os urubus que comem carcaças e os camarões que limpam os restos orgânicos do oceano. Somos descendentes dos primatas que por INSTINTO lançamos cascas de bananas no chão, e pelo mesmo impulso abrimos a mão e espalhamos restos orgânicos por onde estamos! E isto era para ser algo bom! Contudo, só lançar no meio da horta ou debaixo das plantas, que os restos orgânicos iriam ser alimentos para o sistema, fazendo compostagem. Ou algum pássaro ou mesmo as minhocas da terra iriam aproveitar aqueles restos.
Entretanto, nesse nosso lindo mundo moderno, tudo o que produzimos não é mais orgânico! Em conseqüência disso, se os pais não ensinam seus filhos que lugar de lixo é na lixeira, é fato que vão simplesmente largar o lixo no chão. Resultado? Garrafas, sacolas e tudo mais ficam na rua, nas praças, nos canteiros, na beira da estrada que prejudica a estética da cidade e gera graves problemas a saúde pública, até alguém queima ou retira a sujeira e depois tudo começa de novo debaixo do sol, conduzido pelo INSTINTO e MAU HÁBITO!
Já Aristóteles (384-322 a.C.) constatou: "o homem, quando tem boa índole e moral, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais." De fato, seres humanos incapazes de superar seus instintos e maus hábitos, comportam-se como indivíduos animalescos. Isto é a questão de muitos e a pura realidade em que vivemos.

21 de fevereiro de 2013

SE FOR PRA CONSUMIR QUE SEJA COM RESPONSABILIDADE


"O consumo é um pressuposto básico para a vida cotidiana, mas a forma exacerbada como vem sendo feito coloca em risco os processos de renovação dos recursos naturais. Por isso, a mudança de postura para um consumo consciente é urgente.

A pressão sobre o patrimônio natural começa a esgotar os recursos naturais e interferir nos processos de renovação da natureza. O consumo exagerado da sociedade moderna é o principal motor dessa pressão. Atualmente se consome cerca de 25% a mais de recursos do que a natureza consegue repor de acordo com o relatório Planeta Vivo 2006 da organização não-governamental WWF. Para se ter idéia, segundo outra pesquisa da WWF, esta de 2008, se todas as classes sociais adotassem o estilo de vida da elite brasileira, seriam necessários três planetas para sustentar o consumo.

Preocupado com essa situação, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) lançou em junho o Catálogo Sustentável (http://www.catalogosustentavel.com.br), um portal em que os visitantes encontram informações de produtos, serviços e empresas sustentáveis. “Criamos um catálogo virtual em um espaço aberto e amplo para reunir e permitir o acesso a produtos com características de sustentabilidade. Nosso objetivo não é, de forma alguma, estimular o consumismo, mas a procura por produtos feitos de forma sustentável”, afirma a diretora executiva do GVces, Rachel Biderman.

Para fazer parte do catálogo, o produto deve atender a pelo menos um dos critérios adotados pela equipe como eficiência energética, toxicidade, biodegradabilidade entre outros. No entanto, essa “peneira” deve ficar mais fina no futuro. “Neste momento inicial, queremos premiar quem deu o primeiro passo. Com o tempo, ficaremos mais rigorosos. De repente, atender a apenas ao critério de eficiência energética não será suficiente, também precisará ser feito com material reciclado, mas o mercado não dispõe desses produtos atualmente”, explica Biderman.

Outro objetivo da iniciativa é divulgar informações referentes à sustentabilidade empresarial, de forma a estimular que a demanda influencie a construção de um novo modelo de produção. Desde os cidadãos consumidores até as grandes empresas e órgãos públicos compradores estão dentro do público alvo. “Queremos que o catálogo também sirva como uma ferramenta de educação. Caso precise realmente consumir, que procure por produtos com menos impactos”, explica a diretora executiva do GVces.

O que precisa é consciência

Iniciativas como o catálogo sustentável são importantes, mas ainda falta compreensão da população sobre o seu impacto na natureza. “Falta nas pessoas consciência sobre o que estão fazendo. O ato da compra é desvinculado da consciência sobre o impacto da compra sobre o ambiente”, afirma a analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Maísa Guapyassú.

O ecólogo ambientalista e professor da Universidade Regional de Blumenau (SC), Lauro Bacca, afirma que as pessoas estão perdendo a referência devido ao aumento absurdo do consumo. “Comemora-se muito que conseguimos reciclar cerca de 90% das latinhas de refrigerante no país, mas se esquece que os outros 10% que acabam no ambiente representam aproximadamente um bilhão e meio de latas só no Brasil. Há 20 anos, esse número era zero, agora, a quantidade é imensa”, explica.

O professor acredita que a questão ambiental cresceu bastante nos últimos anos, porém a devastação ambiental aumentou muito mais. “Os carros de hoje lançam uma quantidade muito menor de poluentes no ar do que os de 20 anos atrás, mas o número de automóveis nas ruas anula esse avanço. Vivemos uma era de ilusão ambiental, esses avanços são necessários, mas temos que acabar com a crença de que só porque inventamos uma tecnologia avançada ambientalmente as coisas estão às mil maravilhas”, comenta Bacca.

O afastamento do homem moderno da natureza é outro dos fatores que contribuem para o desinteresse das pessoas em ter mais cuidado com suas atitudes de consumo, segundo Guapyassú. “Essa desconexão faz com não tenham consciência de suas ações. Acham que a tecnologia vai resolver tudo independentemente do custo”, afirma.

Consuma mais, consuma muito

O processo de indução ao consumo feito pelos diversos meios de comunicação também é responsável pelo problema, pois entra em conflito com a necessidade de ter mais cuidado na hora de comprar. “Esse modelo de sociedade de consumo criou a utopia de que o Brasil é um país inesgotável”, afirma Oscar Fergutz, analista de projetos da Fundação Avina. Guapyassú divide a mesma opinião, “queremos que as pessoas tenham comportamento ambientalmente correto, mas ao mesmo tempo elas são bombardeadas com propaganda e se valoriza a compra de produtos desnecessários. Estamos em um mundo em que as pessoas são valorizadas pelo consumo”, afirma.

Bacca não acredita que alguém diga que o meio ambiente não é importante, mas na hora de tomar medidas positivas para a natureza, mesmo as mais simples, é difícil encontrar pessoas dispostas a isso. Para ele, o governo também tem sua parcela de influência, pois não cria ações efetivas para estimular essa mudança. “O consumo consciente ainda não atingiu a grande massa e as autoridades são responsáveis em grande parte por isso. Pouco se divulga, pouco se impõem. Os governantes gostam muito de dividir o ônus com a população, nunca o bônus”, comenta.

“Se essa lógica se perpetuar, estaremos sempre pressionando o meio ambiente, pressionando na produção com a retirada dos recursos, e depois na volta, na hora do descarte. Cria uma pressão sobre o planeta tão grande, que ele não consegue se recuperar”, explica Biderman.

Tomando a frente

Oscar Fergutz é um desses consumidores que sempre procuram levar em consideração o impacto do produto e de suas ações sobre o meio ambiente. Sempre observa a quantidade de embalagens, a eficiência energética, a distância do transporte da mercadoria na hora de adquirir alguma coisa. Para ele, a responsabilidade social não pode ser só das empresas e dos governos, mas de todos que fazem parte da sociedade. “Devemos estar conscientes o tempo inteiro. Tudo o que fazemos consome recursos do planeta”, afirma.

É este tipo de postura que o planeta precisa urgentemente de seus mais numerosos habitantes. “Nosso planeta Titanic está afundando e as pessoas não estão percebendo, continuam na proa do navio fazendo festa”, conclui o professor Bacca.

Para saber mais sobre consumo consciente, visite os sites do GVces (http://www.ces.fgvsp.br), do Instituto Akatu (http://www.akatu.org.br) e do Idec - Instituto de Defesa do Consumidor (http://www.idec.org.br)."

Fonte: Envolverde/Fundação O Boticário

CONSUMIR COM RESPONSABILIDADE

Consumir com responsabilidade é um exemplo para nossos filhos


Maria Lucia BarciotteTEXTO DE:

Maria Lucia Barciotte é Bióloga, Mestre em Biologia e Doutora em Saúde Pública e Ambiental pela Universidade de São Paulo.



Você já se deu conta de que uma simples ida às compras é uma super oportunidade pedagógica de transmitir e “ensinar” cidadania para nossos filhos? Como consumidores devemos escolher, decidir, reivindicar direitos, assumir responsabilidades. Estamos preparados? Escolhemos de fato o que consumimos? Onde aprendemos a ser consumidores? Na escola? Em casa? E quem nos ensina?

A propaganda nos informa ou nos iludi? Seremos transformados em heróis e heroínas românticas usando tal desodorante? Ou fumando tal cigarro? E refrigerante mata a sede? Ou água é que alivia a nossa sede e o refrigerante pode ser tomado como opção, pelo prazer que nos proporciona? E dar refrigerante nas mamadeiras para os nossos bebês é bom? E criar adolescentes que nunca bebem água. É saudável?

Parece que está difícil. E a tendência é piorar. Nós brasileiros entramos na sociedade de consumo como em uma grande festa. Saindo de zonas rurais ou de pequenos e médios núcleos urbanos, aprendendo a comprar em armarinhos e pequenas lojas nos deparamos com o universo dos shopping centers e dos hipersupermacromercados.

É muita cor, muita luz e muito apelo ao consumo por impulso. Cada vez mais nossos olhos e sentidos serão sensibilizados, cada vez mais produtos se oferecerão nessa grande feira. Só que cada vez mais teremos que optar, pois mesmo que quiséssemos não poderíamos comprar e ter tudo o que o mercado nos oferece. Nem se fossemos “ronaldinhos”.

Portanto parece incrível mas consumir é um exercício de liberdade. Dizer sim ou não. Consumir com responsabilidade é a capacidade deescolher produtos e serviços mais adequados para cada um de nós, utilizando bem o nosso rico dinheirinho, cada vez mais duro de ganhar. Esse consumo responsável fica ainda melhor quando incorpora o conceito de consumo sustentável.

Consumo sustentável é a possibilidade de escolher o que vamos consumir e o que a indústria produz, levando em conta também o impacto ambiental que aquele produto ou serviço originou desde a retirada da matéria prima da natureza para a sua produção até o que ele irá causar durante o seu uso ou após o seu descarte.

O ideal é que os produtos sejam desenvolvidos a partir de projetos que já levem em consideração a variável ambiental (o chamado “design” ambiental) e que sejam projetados gerando o menor impacto possível, por exemplo, de fácil desmontagem e utilizando materiais que facilitem a reciclagem, não utilizando materiais tóxicos na sua produção, como tinta ou vernizes, ou até gases tóxicos como os CFCs e similares.

Muitas empresas já alteraram os seus processos produtivos, substituindo matérias primas e reduzindo a quantidade de resíduos gerados, entre outra ações, porque já descobriram que prevenir a poluição pode ser também um bom negócio, e bem melhor que remediar, como afirma o senso comum.

Fica clara a importância do nosso papel. Como consumir com responsabilidade e de forma sustentável e transmitir esses valores para os nossos filhos? O primeiro passo é a informação. Devemos nos informar sobre as várias características dos produtos que consumimos, tendo idéia da sua composição e seus efeitos à nossa saúde, nossa segurança e ao ambiente, assim como desperdiçando menos, comprando menos descartáveis, evitando desta forma a geração de lixo. São passos importantes.

Fazer a opção pelo consumo responsável e sustentável é um direito de qualquer pessoa. Tanto pode ser realizado por um dona de casa para sua pequena família de 3 ou 4 pessoas, como pode ser a opção de um empresário responsável por uma grande empresa. Você sabia que em média gasta-se em um escritório 10 copinhos plásticos descartáveis por dia por pessoa? Por exemplo uma empresa com 2.500 funcionários chega a gastar 30 000 copinhos por dia! E na nossa casa também não desperdiçamos?

Exigir durabilidade de um produto (existem produtos que já são um lixo na hora da compra, não?) e comprar produtos reciclados de boa qualidade também são passos importantes. Ainda não temos todas as respostas mas já temos várias perguntas e respostas para algumas delas. Já é o começo do caminho.

Aprender a escolher e ajudar nossos filhos nessa atitude crítica e saudável, com certeza nos transformará em pessoas melhores e ampliará o nosso papel frente ao mundo, assim como nossa capacidade de agir e transformá-lo, melhorando a nossa a realidade e fazendo-nos parceiros do futuro.